Operários bolivianos retiraram o altar
para rituais satânicos e oferendas a entidades andinas da estrada que
liga as cidades de La Paz e El Alto, por onde o papa Francisco passará
na visita que fará ao país na semana que vem.
A “Curva del Diablo”, que
normalmente abriga dezenas de velas e outros elementos usados nos
eventos, estava hoje como qualquer outra parte da rodovia. Homens da
prefeitura de La Paz e da Administradora Boliviana de Estradas (ABC)
limparam o lugar e colocaram algumas pequenas plantas onde antes ficava o
altar improvisado.
Membros da “Waka Katari”, um grupo que
promove rituais andinos no local, ajudaram nos trabalhos e suspenderam
os rituais até o fim da visita do papa à Bolívia, explicou à Agência Efe
uma das integrantes, identificada apenas como Adriana. Segundo ela, o
lugar é, na realidade, uma “waka”, local considerado sagrado na cultura
andina e “não possui energia negativa”, ao contrário do que pensam as
pessoas.
Na última segunda-feira, o grupo fez um
ritual para pedir permissão para organizar o lugar e os integrantes se
organizaram em turnos para garantir que ninguém usará o local nos
próximos dias.
“Pedimos que respeitem o lugar por dez
dias para que não haja enfrentamentos, porque se a prefeitura ou a ABC
fizessem sozinhas o trabalho certamente haveria enfrentamentos e
mortes”, indicou.
O papa Francisco visitará a Bolívia
entre os dias 8 e 10, como parte de uma viagem pela América do Sul, que
também inclui o Equador e o Paraguai. O pontífice chegará a El Alto,
situada a 4 mil metros acima do nível do mar, e de lá irá a La Paz, a
3.600 metros de altitude, passando pela estrada em um veículo
descoberto.
Há algumas semanas, as autoridades
anunciaram limpariam a “Curva del Diablo” por conta da chegada do papa.
Porém há três anos, o governo derrubou um altar de cimento que existia
no lugar, depois que um corpo foi encontrado nas proximidades e a
polícia suspeitou que o caso tivesse relação com os rituais.
No começo deste ano, organizações em
defesa dos animais denunciaram que alguns bichos, como coelhos,
cachorros e gatos, estavam sendo sacrificados em cerimônias satânicas na
“Curva del Diablo”. Muitos dos ritos dos grupos supostamente satânicos
aparecem misturados as crenças dos povos indígenas sobre o sacrifício de
animais, particularmente lhamas, dedicadas à Mãe Terra para pedir boas
colheitas e prosperidade.
A integrante do “Waka Katari” negou que
as cerimônias sejam satânicas ou que tenha a participação de animais.
Segundo ela, eles promovem apenas ritos ancestrais andinos.
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