Continuamos em ambiente pascal. A comunidade cristã primitiva
experimenta a diversidade dos seus membros e, ao mesmo tempo, a unidade
em redor de Cristo ressuscitado. É nesta linha que as leituras de hoje
nos falam do nosso lugar na Igreja.
A partir da Liturgia da Palavra, podemos definir as principais
características da comunidade cristã do seguinte modo: é formada por
pessoas de raças e culturas diferentes, capazes de se entreajudarem
mutuamente; constituída segundo uma estrutura hierárquica orientada para
a unidade da fé e o serviço ministerial, tem aí o garante do depósito
da fé; animada pelo Espírito Santo ao longo da sua história, torna-se,
segundo os desígnios de Deus, caminho de salvação de todos os homens; é o
«templo espiritual» que tem em Cristo ressuscitado a «pedra angular» e
nos cristãos as suas «pedras vivas».
Olhando para esta descrição das características da Igreja, damo-nos
conta que, nesta Casa de Deus, existem muitas e variadas formas de
servir a comunidade: os sacerdotes, os diáconos e os leigos. «Em casa de
meu Pai há muitas moradas», diz-nos Jesus, e os Actos dos Apóstolos
mostram-nos a escolha dos sete primeiros diáconos, «homens de boa
reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria», para as obras de
caridade e o serviço aos mais necessitados. Diante deles, somos todos
convidados a meditar no lugar que ocupamos nesta grande comunidade
cristã. Como «pedras vivas» da Igreja, de que forma colocamos a render
os talentos e as qualidades em benefício de todos? Ao mesmo tempo,
respeitamos o espaço dos outros cristãos e as suas diferenças naturais?
A liturgia da Palavra diz-nos também que fazemos parte de um edifício
espiritual onde Cristo é a «pedra angular» e fundamento de toda a
estrutura. Sem um compromisso sério com Deus, a obra torna-se imperfeita
e mais frágil, a construção do Reino de Deus torna-se mais lenta e
fechada. Por isso, diz Jesus no Evangelho de S. João, respondendo a uma
pergunta de Tomé: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao
Pai senão por Mim». Não se pode chegar ao Pai e à sua morada sem passar
pelo Filho e não faz sentido dizer-se cristão sem aprofundar a relação
com Cristo. Se procuramos um caminho a trilhar, sigamos a Cristo pois,
como diz S. Tomás de Aquino, «mais vale coxear durante o caminho do que
caminhar a passos largos mas fora do caminho». Ser Igreja implica tempo
de aprendizagem para conhecer o que diz o Magistério da Igreja;
intimidade com Jesus conquistada na oração, para moldar a humanidade
imperfeita e pecadora; testemunho cristão sério e coerente através de
obras e gestos que expressam Aquele em quem acreditamos.
Por fim, S. Pedro recorda-nos na sua Epístola que somos «geração
eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para
anunciar os louvores» de Cristo ressuscitado. Como baptizados, tomemos
consciência que participamos do sacerdócio de Jesus Cristo com as nossas
vidas de cada vez que nos colocamos ao serviço da comunidade cristã e
nos identificamos com ela.
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